Teu silêncio me exaspera
Tira meu sono
Causa-me náuseas
Ecoa na mente
Leva-me pra bruma
Escurece minha alma
Deixa-me doente
Não te pressinto
De receios me mordo
Da cor me ausento
E aguardo o e-mail
Espero o interfone
Olho o telefone
Não chega o carteiro
E navego sem rumo
A te buscar com receio
O trabalho não rende
Perco-me em devaneios
Necessário mudar
Uma terapia talvez
Um descarrego depois
Um choque a levar
Um banho frio a tomar
E a precisão de tentar
Cair na real
Vem em pedaços
Desfeita
Indolente
Sem a vontade
De te deixar.
(clara)
..................Meu silêncio
É o espelho
Da tua náusea
O eco torto
Da tua presença
Meu silêncio é a bruma
É a calçada sem luz
Que te tem
Pela plantas dos pés.
Ah, se teu caminhar
Pressentisse...
E sei que mandarás
Teus guardas celestes
Tuas páginas de web
Tuas braçadas e naus
E sabe que mais dia
Menos dia
Te renderei o sonho
E te comerei desperta
E não adiantará terapia
Banho de folha
Ou catimbó
Mudança de ares
Ou rearrumo de casa
Com bússola & baguá
Clara, Clarita
Se anuncias
_ vou te deixar!
Medirei insolente
A tua vontade
( o tempo que levarás)
para voltar.
(Ricardo)
ilustração: A suplicante - Camille Claudel

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