quinta-feira, 29 de junho de 2017



Como se formam as pérolas...

Encolhida na concha
Aos  poucos, num processo lento
Aprendi a me defender
Dos grãos de areia,  rochas e corais
Invasores cruéis
A me matar lentamente

Produzi um manto de amor resistente
Madrepérola  rara
Para cobrir a dor

Quando dei por mim
Acordei  pérola.

Festa junina em São Paulo


Não foi festa em Caruaru
Mas os refletores brilhavam tanto
Que mais pareciam estrelas 
Da noite de São João.

Não foi com sanfoneiro
Mas o som de última geração
Entorpecia os sentidos
Como barulho de rojões
De uma festa de São João.

Não teve  canjica, milho ou quentão
Mas as conversas fúteis
Inflavam  os egos
Alimentavam os convidados
Daquela festa de São João.

Não se falava em pular fogueira
Mas o fogo das vaidades
Esquentava mentes e corações
Das gentes importantes
Na festa de São João.

Não teve quadrilha, pau de sebo
Ou busca-pé
Não fazia sentido ser simples
Amar
Ou comemorar apenas a vida
Naquela festa de São João.