domingo, 13 de outubro de 2013

À noite...

Tem uma meia lua
entre nuvens
tímida
na minha área de serviço

meio escondida
me olha esquisita
parece indagar
se quero dormir
ou  sua companhia.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cair da tarde

tarde
sombria

no peito
o cinza das nuvens
toma o lugar da noite
com seu véu escuro

e a tarde
espanta a alegria
levada pelo vento frio

 lá fora
um sabiá canta

mas é tarde
pássaro da madrugada
é muito tarde...

(lembranças de um corvo
perdido no tempo.)

domingo, 23 de junho de 2013

De paz...

São Paulo/tarde de sábado...

e longe das manifestações
a tarde me deu de brinde
a lua nascendo
a pausa do silêncio
e a paz do amor
no coração

Manifestações pelo Brasil

São Paulo/domingo de manhã...
 

Queria falar da chuva/ mas me vem à cabeça uma chuva de balas de borracha...
me cala
Falar do frio/ um frio na espinha ao pensar na direita à solta...
me arrepia
e trava
Falar das nuvens cinzas/ surge um horizonte cinzento entre a insatisfação popular e manipulação das massas em meu pensamento... 

me engasga

Daí lembro-me que é mais um domingo que vivo/ e me vem à mente todos que resistem e acreditam que vale a pena a luta...
renasço!

Um homem dorme...

Um homem dorme
Como serão seus sonhos?
Será que o deixam feliz
derrubam seu olhar sombrio
sua face crispada
e o ricto de suas rugas?

Um homem dorme
Será que se torna criança?
o pensamento pessimista voa
e a imaginação infantil
cheia de energia
ocupa seu lugar?

Um homem dorme
Será que sons povoam sua mente
baquetas ressoam
e melodias que habitam sua mente
embalam seu descansar?

Um homem dorme
Como será que vai acordar?

Velo tranquila
espero seu despertar.

domingo, 2 de junho de 2013

São Paulo/ tarde de domingo....


cinza na janela
mas uma nesga de azul
entrou sorrateira
fez a festa
no meu coração!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Frio


Passa por mim um sopro
Esfria o nariz
Gela as mãos
Cristaliza a lágrima

Ah...essa velha angústia
tão conhecida
quase esquecida
que teima em voltar

e me circunda
nos anéis de fumaça
de tua ausência
que trago
nesse cigarro sem fim







São Paulo/ madrugada de quinta...

Pelas ruas molhadas
um pingo de orvalho cai
em mim.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Para o Og

Nunca escrevi sobre você
Tantas coisas a falar
boas e más
mas preciso falar de você
Como passamos
quase toda nossa vida junto
Como compartilhamos tantos sonhos
 juntos e distintos
Assim como foi nossa vida
compartilhada em tanto
sozinha em tantos outros
Pensando...
fomos duas pessoas
que nos amamos
sem jamais nos descobrirmos
esperdiçamos o amor
como se ele tivesse a obrigação
de nos entender
Hoje
olhando tua foto
entendo...
entendo a ternura que tenho por você
o amor do Cassio
a confissão da Iara:
foi meu único tio
e entendo o que é amor

Ele não é feito
de bobagens
simplesmente existe

Domingo
vou comemorar o dia das mães
você estará presente.

sábado, 27 de abril de 2013

Lua azul




E a lua cheia
de tanta luz
tornou a noite
um lago imenso
de azul

terça-feira, 16 de abril de 2013

...



Navegar é preciso


Em  busca da terceira margem dos rios
Das ilhas perdidas do mar
Para soltar  a voz como os passarinhos
E deixar voar a alma
Acima dos abismos

( Tela: Kandisnky)

terça-feira, 5 de março de 2013

Canto de passarinho

Descobri amar passarinhos. Já desconfiava, quando senti a falta de seus sons quando mudei daqui. Só não imaginava que, voltando, sentiria tão mais a  sua cantoria. E por mais estranho que possa ser, parecem os mesmos de doze anos atrás. Pelo menos as maritacas da árvore do quintal ao lado, fazendo aquela algazarra ao sair de manhã. Ah...o ser humano! Sempre querendo ser único, ouço como se elas estivessem a minha espera só para me fazer feliz.
Nunca soube diferenciar se cantam ou piam os pintassilgos, piás, andorinhas, pardais e que tais.A não ser o sabiá laranjeira, aquele madrugador que teima em cantar no escuro para nos garantir que a claridade virá. Nem mesmo sei como são chamados, para mim, mero rótulo para ornintólogos estudar. Até mesmo o canto alegre do pássaro preto de mamãe, que morreu de saudades quando ela foi viajar, lembro mais. Só sei que era suave a conversa entre seu canto e a resposta em assobio de minha mãe. Eram cúmplices naquele diálogo melodioso.
Em São Paulo são 14H:43MIN, um calor de rachar, mas há os teimosos que conversam entre si. O que será que dizem? Contam o que estão fazendo, dizem de seus ninhos, ninhadas, reclamam da falta de árvores, dos voos longos que têm que fazer, se estão cansados ou sedentos, falam de amor ou apenas se cumprimentam na tarde ensolarada?
Tem dias que me lembram a voz de Deus... um Deus feliz...que esquece por momentos de toda a miséria que tem que consertar.
Tem manhãs que me lembram a vida nascendo, plena em sua finitude, oferecendo-se a meu ouvido a chamar...acorda, clara,  não espere o amanhã, não sabe se ele virá...
Tem tardes que me aquietam a angústia, essa velha companheira apegada, que se enche de serenidade olhando o dia cair...
Hoje, trouxeram-me a saudade de você...a melodia entra pela janela e me embala na sua ausência. Cantantes, emprestam-me suas asas para eu poder voar...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ausência da inspiração

Nada a escrever
que lembre poesia

Inútil insistir
os caminhos estão secos
é outono n'alma
nesse maio
de rimas caindo
embaralhadas
folhas secas
que vou pisando
pelo chão

Nada a dizer
além do ponto final.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Mudança de endereço

não terei mais a lua minguante
companheira infalível
me visitando à janela
dizendo
sempre é possível
ser feliz

agora
ela vai me saudar exuberante
nascendo toda cheia de si
só para me mostrar
que a felicidade
reside quando eu quiser
em mim.