quinta-feira, 29 de junho de 2017



Como se formam as pérolas...

Encolhida na concha
Aos  poucos, num processo lento
Aprendi a me defender
Dos grãos de areia,  rochas e corais
Invasores cruéis
A me matar lentamente

Produzi um manto de amor resistente
Madrepérola  rara
Para cobrir a dor

Quando dei por mim
Acordei  pérola.

Festa junina em São Paulo


Não foi festa em Caruaru
Mas os refletores brilhavam tanto
Que mais pareciam estrelas 
Da noite de São João.

Não foi com sanfoneiro
Mas o som de última geração
Entorpecia os sentidos
Como barulho de rojões
De uma festa de São João.

Não teve  canjica, milho ou quentão
Mas as conversas fúteis
Inflavam  os egos
Alimentavam os convidados
Daquela festa de São João.

Não se falava em pular fogueira
Mas o fogo das vaidades
Esquentava mentes e corações
Das gentes importantes
Na festa de São João.

Não teve quadrilha, pau de sebo
Ou busca-pé
Não fazia sentido ser simples
Amar
Ou comemorar apenas a vida
Naquela festa de São João.

sábado, 20 de agosto de 2016



E o céu sem estrelas
com nuvens de enfeite
serve de palco para ela

 
A atriz delirante
dos monólogos de amantes
dos dramas da vida
dos musicais da esperança
das comédias humanas

E sem refletores
reina e atua
brilha na noite
A Luatriz soberana

domingo, 10 de julho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

 Pensando em dormir...

a chuva se faz presente
pelas frestas da  janela
a embalar meus sono

num choro incontido
sem controlar
as lágrimas

(minhas/dela)
cai

na rua
enxurrada
enxurro
enchente

sonhos destruídos

pesadelo
no barraco que se desfaz.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Carnaval

Miró - Carnaval de Arlequim
Em cada confete
Um pedacinho de dor
Voa
Colorindo o ar

Em cada marchinha
Uma nota de saudade
Vibra em dó
ou sol maior

Em cada fantasia
Uma personagem fictícia
Encena a comédia
Ou o drama da vida

E sigo, canto e sambo
Sem saber ao certo
Qual máscara levar
à  rua... à praça... ao bar...

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

domingo, 1 de novembro de 2015


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Desafinados



Ela sabia de rimas

Ele de bateria

Pensaram - inocentes -

Em fazer uma parceria.



A música não progrediu

Não souberam afinar

E nem mesmo rimar

Bateria com poesia



Perderam o compasso

Desafinaram os acordes

A melodia era sem vida

E a letra não aparecia.



Tentaram todas escalas

Saíram do ritmo

Mudaram a harmonia

Falharam no improviso

E nada acontecia.



Ela ficou triste

Ele enraivecido

E vaiados  pela tentativa

Resolveram tocar pela vida

Sozinhos.