Pela janela aberta
Um sol claro me espia
Lá embaixo
Azaléias e girassóis florescem
Na banca da esquina
Não há canto de pássaros
Mas dobram os sinos da igreja
Lembrando aos fiéis
A hora da missa
Sem carros
Sem buzinas
A molecada joga bola
No meio da avenida
No cortiço ao lado
A mulher esfrega no tanque
A roupa da dura lida
E o velho jornaleiro
Arruma as notícias
Do nosso dia a dia
Corre um homem na contramão
A mulher caminha na guia
De bicicleta, feliz
O atleta atravessa a rua
Seguindo pro minhocão
Do alto da minha janela
São Paulo vira província
Não há assalto no asfalto
Nem violência no ar
Passeia a vida sem pressa
No domingo sem correria...
Entrei distraída na Caixa de Achados & Perdidos. Nunca mais me encontrei.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Para o Zé Carlos...
Não... eu não o conhecia direito, nem era sua amiga íntima. Não sabia dos seus sonhos, de suas frustações, de seus amores e desencontros na vida. Só soube que era mineiro hoje. Foi para lá que ele foi. Não sei o nome da cidade. E não vou ficar aqui imaginando que é aquela cidadezinha histórica, ou no sopé daquela montanha entre tantas que existem em Minas. Não... Eu não o conhecia. Não sabia porque viera para São Paulo, em que bairro vivia, sabia apenas que era longe, mas não sabia de suas namoradas, para que time torcia, ou em quem votava. Ah... mas sabia que fumava cigarro paraguaio, aquele que me ofereceu com a solidariedade de fumantes que conhecem a necessidade do vício e que timidamente falou:
- Ah.. mas são paraguaios, quer assim mesmo?
Conhecia seu sorriso, que podia até encobrir alguma dor, mas que estava sempre em sua face. Conhecia seu olhar matreiro, observando tudo que se passava naquela portaria. Conheci seu gesto serviçal, que sempre me deixava sem graça ao abri a porta do elevador, apertar meu andar, sorrir, sei lá se por obrigação, mas sempre tão natural. Conhecia suas brincadeiras tímidas, até conhecia seu lado solidário de após o trabalho ir com a senhora de outro andar ao banco, porque ela tinha lhe dito que não se sentia segura de ir sozinha. Ah... como rimos aquele dia, no Bradesco, eu brincando que estava na fila dos idosos porque era obesa, e ele dizendo que já tinha entendido...Acho que me achava meio doida. Achava, não, sabia que sou mesmo. Talvez, isso tenha delineado o começo do elo e cumplicidade que nos unia. Ah... como gostava de encontrá-lo nas madrugadas que chegava meio bêbada, e era ele que estava ali, como um guardião. Ah... como gostei do carinho que me tratou na madrugada insana, que precisava acudir minha irmã, e o taxi não chegava. Foi ele que parou um desavisado que passou e me disse para não esperar o ligue taxi. Preocupado com quem ele nem conhecia.
Em nossa última conversa, ficamos rindo muito, sobre futebol. E o assunto eram o que eu ia fazer com as bombinhas que o Matheus me deu para soltar na vitória ou gol do Santos contra o Barcelona...
Muito bom conhecer um pouquinho do Zé. Pena, não ter deixado que nossa timidez pudesse nos fazer aproximar mais.
Sei que a última torta de natal que comeu foi a que o Cassio escolheu. Não o resto, a torta inteira, que deixei lá para ele.
Hoje, fiquei triste porque ele se foi. Muito novo ainda. Em seus 42 anos, vai saber o tanto de sonhos que ainda tinha a realizar.
Não... nem quero pensar nisso.
Só quero pensar que o Zé foi um sorriso que passou na minha vida...e meu coração se deixou levar...
A portaria vai ficar mais triste agora...ou...sempre ficará iluminada por aquele brasileiro que viveu o tempo que lhe foi destinado na terra...
Um beijo, Zé...até...
- Ah.. mas são paraguaios, quer assim mesmo?
Conhecia seu sorriso, que podia até encobrir alguma dor, mas que estava sempre em sua face. Conhecia seu olhar matreiro, observando tudo que se passava naquela portaria. Conheci seu gesto serviçal, que sempre me deixava sem graça ao abri a porta do elevador, apertar meu andar, sorrir, sei lá se por obrigação, mas sempre tão natural. Conhecia suas brincadeiras tímidas, até conhecia seu lado solidário de após o trabalho ir com a senhora de outro andar ao banco, porque ela tinha lhe dito que não se sentia segura de ir sozinha. Ah... como rimos aquele dia, no Bradesco, eu brincando que estava na fila dos idosos porque era obesa, e ele dizendo que já tinha entendido...Acho que me achava meio doida. Achava, não, sabia que sou mesmo. Talvez, isso tenha delineado o começo do elo e cumplicidade que nos unia. Ah... como gostava de encontrá-lo nas madrugadas que chegava meio bêbada, e era ele que estava ali, como um guardião. Ah... como gostei do carinho que me tratou na madrugada insana, que precisava acudir minha irmã, e o taxi não chegava. Foi ele que parou um desavisado que passou e me disse para não esperar o ligue taxi. Preocupado com quem ele nem conhecia.
Em nossa última conversa, ficamos rindo muito, sobre futebol. E o assunto eram o que eu ia fazer com as bombinhas que o Matheus me deu para soltar na vitória ou gol do Santos contra o Barcelona...
Muito bom conhecer um pouquinho do Zé. Pena, não ter deixado que nossa timidez pudesse nos fazer aproximar mais.
Sei que a última torta de natal que comeu foi a que o Cassio escolheu. Não o resto, a torta inteira, que deixei lá para ele.
Hoje, fiquei triste porque ele se foi. Muito novo ainda. Em seus 42 anos, vai saber o tanto de sonhos que ainda tinha a realizar.
Não... nem quero pensar nisso.
Só quero pensar que o Zé foi um sorriso que passou na minha vida...e meu coração se deixou levar...
A portaria vai ficar mais triste agora...ou...sempre ficará iluminada por aquele brasileiro que viveu o tempo que lhe foi destinado na terra...
Um beijo, Zé...até...
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