Noite tranquila...A cidade parece dormir nessa sexta-feira santa. Aos poucos, o som da bandinha invade o quarto. " Eu confio em Nosso Senhor...com fé, esperança e amor..." Involuntariamente, fico cantoralando a música, tirada lá do fundo da memória. Arquivada. Não esquecida.
Da janela, vejo os anjinhos, as velas, o caixão de Jesus, os fiéis cantando, a procissão de " Senhor morto" chegando à igreja.
Não há como não lembrar da menina com a avó indo velar o caixão, olhando os panos roxos cobrindo as estátuas dos santos, contrita, rezando ao lado daquela avó tão querida. A tristeza da escultura de Nossa Senhora, mãe sofredora ao ver o filho morto ainda é viva em sua memória. Tanta dor naquele olhar...Queria que chegasse logo o domingo, para ver a igreja florida, os cânticos de alegria e Maria feliz.
A cultura cristã foi introjetada desde a infância, não há como reverter. Sim, já são outros, os olhos, sem ingenuidade, que veem hoje a instituição Igreja Católica, são outros, os olhos, sem pureza, agora, a fazer suas críticas ao Vaticano, ao Papa, à pedofilia que perpassa a Igreja, mas há uma recordação em que não entra a culpa do pecado, a necessidade de cumprir as regras impostas, as proibições ao prazer da vida. Não existe mais aquele Deus -Vingador, Ele se transformou num Deus-Criador. Parece mais com uma compreensão da existência do espiritual, que nem chega a ser uma fé inabalável, mas que extrai o princípio principal, norteador para ela durante toda a vida: " Amai-vos uns aos outros e sereis filhos meus". E é esse o sentido que a menina-mulher vai dar ao Domingo da Ressusceição.Feliz Páscoa!
Entrei distraída na Caixa de Achados & Perdidos. Nunca mais me encontrei.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Noites no facebook
Dia internacional da mulher
e por falar em mulher
que a lua cheia na janela
estenda sua luz sobre todas elas
...
Voltando do Ponto Chic
lua cheia sobre a igreja
amigos falando no bar
momentos de paz
...
Depois do bar
ah... o silêncio da volta
depois de tanta música
não é triste
mas quero o som do mar
para adormecer...
...
Chegando de madrugada
Agora dormir
o sono dos justos
aquele em que adormecer
é apenas um detalhe
para quem quer sonhar
...
Entardecer de um domingo qualquer
sombras silenciosas
descerram o véu da noite
solidão à espreita
...
Ouvindo música.
Em tardes cor de laranja e ar seco/ música é gota d’água caindo na alma...
quinta-feira, 1 de março de 2012
Palavras
houve um tempo
em que escrevia
amor
depois veio o tempo
da paixão
em épocas de recusa
era
desilusão
nas de mais libido
reinava soberana
perversão
com o tempo
nasceu com força
a palavra
filho
acompanhada sempre
de sorriso
que saia do rosto
formando
letra a letra
a felicidade
de ser mãe.
hoje
misturo todas
e faço delas
uma só
a palavra mágica
vida
antes que chegue
a palavra
fim
em que escrevia
amor
depois veio o tempo
da paixão
em épocas de recusa
era
desilusãonas de mais libido
reinava soberana
perversão
com o tempo
nasceu com força
a palavra
filho
acompanhada sempre
de sorriso
que saia do rosto
formando
letra a letra
a felicidade
de ser mãe.
hoje
misturo todas
e faço delas
uma só
a palavra mágica
vida
antes que chegue
a palavra
fim
sábado, 25 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
à tarde...
nas asas das letras
voo
na esteira das palavras
viajo
e nos versos pingados
levo a quem quero
a saudade...
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Domingo em São Paulo
Pela janela aberta
Um sol claro me espia
Lá embaixo
Azaléias e girassóis florescem
Na banca da esquina
Não há canto de pássaros
Mas dobram os sinos da igreja
Lembrando aos fiéis
A hora da missa
Sem carros
Sem buzinas
A molecada joga bola
No meio da avenida
No cortiço ao lado
A mulher esfrega no tanque
A roupa da dura lida
E o velho jornaleiro
Arruma as notícias
Do nosso dia a dia
Corre um homem na contramão
A mulher caminha na guia
De bicicleta, feliz
O atleta atravessa a rua
Seguindo pro minhocão
Do alto da minha janela
São Paulo vira província
Não há assalto no asfalto
Nem violência no ar
Passeia a vida sem pressa
No domingo sem correria...
Um sol claro me espia
Lá embaixo
Azaléias e girassóis florescem
Na banca da esquina
Não há canto de pássaros
Mas dobram os sinos da igreja
Lembrando aos fiéis
A hora da missa
Sem carros
Sem buzinas
A molecada joga bola
No meio da avenida
No cortiço ao lado
A mulher esfrega no tanque
A roupa da dura lida
E o velho jornaleiro
Arruma as notícias
Do nosso dia a dia
Corre um homem na contramão
A mulher caminha na guia
De bicicleta, feliz
O atleta atravessa a rua
Seguindo pro minhocão
Do alto da minha janela
São Paulo vira província
Não há assalto no asfalto
Nem violência no ar
Passeia a vida sem pressa
No domingo sem correria...
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Para o Zé Carlos...
Não... eu não o conhecia direito, nem era sua amiga íntima. Não sabia dos seus sonhos, de suas frustações, de seus amores e desencontros na vida. Só soube que era mineiro hoje. Foi para lá que ele foi. Não sei o nome da cidade. E não vou ficar aqui imaginando que é aquela cidadezinha histórica, ou no sopé daquela montanha entre tantas que existem em Minas. Não... Eu não o conhecia. Não sabia porque viera para São Paulo, em que bairro vivia, sabia apenas que era longe, mas não sabia de suas namoradas, para que time torcia, ou em quem votava. Ah... mas sabia que fumava cigarro paraguaio, aquele que me ofereceu com a solidariedade de fumantes que conhecem a necessidade do vício e que timidamente falou:
- Ah.. mas são paraguaios, quer assim mesmo?
Conhecia seu sorriso, que podia até encobrir alguma dor, mas que estava sempre em sua face. Conhecia seu olhar matreiro, observando tudo que se passava naquela portaria. Conheci seu gesto serviçal, que sempre me deixava sem graça ao abri a porta do elevador, apertar meu andar, sorrir, sei lá se por obrigação, mas sempre tão natural. Conhecia suas brincadeiras tímidas, até conhecia seu lado solidário de após o trabalho ir com a senhora de outro andar ao banco, porque ela tinha lhe dito que não se sentia segura de ir sozinha. Ah... como rimos aquele dia, no Bradesco, eu brincando que estava na fila dos idosos porque era obesa, e ele dizendo que já tinha entendido...Acho que me achava meio doida. Achava, não, sabia que sou mesmo. Talvez, isso tenha delineado o começo do elo e cumplicidade que nos unia. Ah... como gostava de encontrá-lo nas madrugadas que chegava meio bêbada, e era ele que estava ali, como um guardião. Ah... como gostei do carinho que me tratou na madrugada insana, que precisava acudir minha irmã, e o taxi não chegava. Foi ele que parou um desavisado que passou e me disse para não esperar o ligue taxi. Preocupado com quem ele nem conhecia.
Em nossa última conversa, ficamos rindo muito, sobre futebol. E o assunto eram o que eu ia fazer com as bombinhas que o Matheus me deu para soltar na vitória ou gol do Santos contra o Barcelona...
Muito bom conhecer um pouquinho do Zé. Pena, não ter deixado que nossa timidez pudesse nos fazer aproximar mais.
Sei que a última torta de natal que comeu foi a que o Cassio escolheu. Não o resto, a torta inteira, que deixei lá para ele.
Hoje, fiquei triste porque ele se foi. Muito novo ainda. Em seus 42 anos, vai saber o tanto de sonhos que ainda tinha a realizar.
Não... nem quero pensar nisso.
Só quero pensar que o Zé foi um sorriso que passou na minha vida...e meu coração se deixou levar...
A portaria vai ficar mais triste agora...ou...sempre ficará iluminada por aquele brasileiro que viveu o tempo que lhe foi destinado na terra...
Um beijo, Zé...até...
- Ah.. mas são paraguaios, quer assim mesmo?
Conhecia seu sorriso, que podia até encobrir alguma dor, mas que estava sempre em sua face. Conhecia seu olhar matreiro, observando tudo que se passava naquela portaria. Conheci seu gesto serviçal, que sempre me deixava sem graça ao abri a porta do elevador, apertar meu andar, sorrir, sei lá se por obrigação, mas sempre tão natural. Conhecia suas brincadeiras tímidas, até conhecia seu lado solidário de após o trabalho ir com a senhora de outro andar ao banco, porque ela tinha lhe dito que não se sentia segura de ir sozinha. Ah... como rimos aquele dia, no Bradesco, eu brincando que estava na fila dos idosos porque era obesa, e ele dizendo que já tinha entendido...Acho que me achava meio doida. Achava, não, sabia que sou mesmo. Talvez, isso tenha delineado o começo do elo e cumplicidade que nos unia. Ah... como gostava de encontrá-lo nas madrugadas que chegava meio bêbada, e era ele que estava ali, como um guardião. Ah... como gostei do carinho que me tratou na madrugada insana, que precisava acudir minha irmã, e o taxi não chegava. Foi ele que parou um desavisado que passou e me disse para não esperar o ligue taxi. Preocupado com quem ele nem conhecia.
Em nossa última conversa, ficamos rindo muito, sobre futebol. E o assunto eram o que eu ia fazer com as bombinhas que o Matheus me deu para soltar na vitória ou gol do Santos contra o Barcelona...
Muito bom conhecer um pouquinho do Zé. Pena, não ter deixado que nossa timidez pudesse nos fazer aproximar mais.
Sei que a última torta de natal que comeu foi a que o Cassio escolheu. Não o resto, a torta inteira, que deixei lá para ele.
Hoje, fiquei triste porque ele se foi. Muito novo ainda. Em seus 42 anos, vai saber o tanto de sonhos que ainda tinha a realizar.
Não... nem quero pensar nisso.
Só quero pensar que o Zé foi um sorriso que passou na minha vida...e meu coração se deixou levar...
A portaria vai ficar mais triste agora...ou...sempre ficará iluminada por aquele brasileiro que viveu o tempo que lhe foi destinado na terra...
Um beijo, Zé...até...
sábado, 2 de julho de 2011
Palavras a meu blog
Pobre blog abandonado
por falta de palavras
por falta de vontade
por falta minha
Palavras são ariscas
desaparecem da mente
quando não temos
a verve certa
e mal sabemos soletrar a palavra
poesia.
por falta de palavras
por falta de vontade
por falta minha
Palavras são ariscas
desaparecem da mente
quando não temos
a verve certa
e mal sabemos soletrar a palavra
poesia.
terça-feira, 21 de junho de 2011
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