Pela janela aberta
Um sol claro me espia
Lá embaixo
Azaléias e girassóis florescem
Na banca da esquina
Não há canto de pássaros
Mas dobram os sinos da igreja
Lembrando aos fiéis
A hora da missa
Sem carros
Sem buzinas
A molecada joga bola
No meio da avenida
No cortiço ao lado
A mulher esfrega no tanque
A roupa da dura lida
E o velho jornaleiro
Arruma as notícias
Do nosso dia a dia
Corre um homem na contramão
A mulher caminha na guia
De bicicleta, feliz
O atleta atravessa a rua
Seguindo pro minhocão
Do alto da minha janela
São Paulo vira província
Não há assalto no asfalto
Nem violência no ar
Passeia a vida sem pressa
No domingo sem correria...

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