quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

à tarde...


nas asas das letras
voo
na esteira das palavras
viajo
 e nos versos pingados
levo a quem quero
a saudade...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Domingo em São Paulo

Pela janela aberta
Um sol claro me espia
Lá embaixo
Azaléias e girassóis florescem
Na banca da esquina

Não há canto de pássaros
Mas dobram os sinos da igreja
Lembrando aos fiéis
A hora da missa

Sem carros
Sem buzinas
A molecada joga bola
No meio da avenida

No cortiço ao lado
A mulher esfrega no tanque
A roupa da dura lida

E o velho jornaleiro
Arruma as notícias
Do nosso dia a dia

Corre um homem na contramão
A mulher caminha na guia
De bicicleta, feliz
O atleta atravessa a rua
Seguindo pro minhocão

Do alto da minha janela
São Paulo vira província
Não há assalto no asfalto
Nem violência no ar

Passeia a vida sem pressa
No domingo sem correria...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Para o Zé Carlos...

Não... eu não o conhecia direito, nem era sua amiga íntima. Não sabia dos seus sonhos, de suas frustações, de seus amores e desencontros na vida. Só soube que era mineiro hoje. Foi para lá que ele foi. Não sei o nome da cidade. E não vou ficar aqui imaginando que é aquela cidadezinha histórica, ou no sopé daquela montanha entre tantas que existem em Minas. Não... Eu não o conhecia. Não sabia  porque viera para São Paulo, em que bairro vivia, sabia apenas que era longe, mas não sabia de suas namoradas, para que time torcia, ou em quem votava. Ah... mas sabia que fumava cigarro paraguaio, aquele que me ofereceu com a solidariedade de fumantes que conhecem a necessidade do vício e que timidamente falou:
- Ah.. mas são paraguaios, quer assim mesmo?
Conhecia seu sorriso, que podia até encobrir alguma dor, mas que estava sempre em sua face. Conhecia seu olhar matreiro, observando tudo que se passava naquela portaria. Conheci seu gesto serviçal, que sempre me deixava sem graça ao abri a porta do elevador, apertar meu andar, sorrir, sei lá se por obrigação, mas sempre  tão natural. Conhecia suas brincadeiras tímidas, até conhecia seu lado solidário de após o trabalho ir com a senhora de outro andar ao banco, porque ela tinha lhe dito que não se sentia segura de ir sozinha. Ah... como rimos aquele dia, no Bradesco, eu brincando que estava na fila dos idosos porque era obesa, e ele dizendo que   já tinha entendido...Acho que me achava meio doida. Achava, não, sabia que sou mesmo. Talvez, isso tenha delineado o começo do elo e cumplicidade que nos unia. Ah... como gostava de encontrá-lo nas madrugadas que chegava meio bêbada, e era ele que estava ali, como um  guardião. Ah... como gostei do carinho que me tratou na madrugada insana, que precisava acudir minha irmã, e o taxi não chegava. Foi ele que  parou um desavisado que passou e me disse para não esperar o ligue taxi. Preocupado com quem ele nem conhecia.
Em nossa última conversa, ficamos rindo muito, sobre futebol. E o assunto eram  o que eu ia fazer com as bombinhas que o Matheus me deu para soltar na vitória ou gol do Santos contra o Barcelona...
Muito bom conhecer um pouquinho do Zé. Pena, não ter deixado que nossa timidez pudesse   nos fazer aproximar mais.
Sei que a última torta de natal que comeu foi a que o Cassio escolheu. Não o resto, a torta inteira, que deixei lá para ele.
Hoje, fiquei triste porque ele se foi. Muito novo ainda. Em seus 42 anos, vai saber o tanto de sonhos que ainda tinha a realizar.
 Não... nem quero pensar nisso.
Só quero pensar que o Zé foi um sorriso que passou na minha vida...e meu coração se deixou levar...
 A portaria vai ficar mais triste agora...ou...sempre ficará iluminada por aquele brasileiro que viveu o tempo que lhe foi destinado na terra...

Um beijo, Zé...até...

sábado, 2 de julho de 2011

Palavras a meu blog

Pobre blog abandonado
por falta de palavras
por falta de vontade
por falta minha

Palavras são ariscas
desaparecem da mente
quando não temos
a verve certa
e mal sabemos soletrar a palavra
poesia.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Humor de manhã

 Mau humor
desamor

Meu humor
sela a dor

Sem humor
Que horror!!!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A la Eugénio de Andrade

Foi o sorriso
Aquele sorriso suave
Espraiado de sol
Clareou meu dia!

Era um sorriso doce
Aquele sorriso aberto
Cabia nele
Todo som da alegria!

Foi o sorriso
Aquele sorriso negro
Que ao sorrir pra mim
Transformou de vez minha vida!


terça-feira, 5 de abril de 2011

Ao amanhecer


O sol pulou o muro
Abriu as janelas
Subiu pelas paredes
Brincou pelo tapete
Disse-me _Bom dia!
Sorri
Ao estender-lhe a mão.

ilustração: Miguel Costa

sexta-feira, 18 de março de 2011

Resposta a um amigo



Ele perguntou sobre seus sonhos. Tivera asas para alcançá-lo, nesses anos todos? A realidade virou flecha em sua pele. Nunca tivera um sonho prá valer. Sua vida tinha sido construída em cima de pequenas realizações do dia a dia. Nem mesmo a maternidade lhe parecia ter sido a realização do grande sonho. Adorava o filho, mas faltava-lhe ainda alguma coisa. Não tinha sido infeliz. Não. Sempre soubera fazer do dia a dia um sorriso. Da noite, uma alegria. Onde teria perdido o sonho? Por mais que puxasse os arquivos da memória, não o encontrava. Buscava nas cenas de infância. Uma criança a olhar as nuvens deitada no quintal. Será que sonhava em ser como elas? Lindas...brancas...mutantes? Procurava na adolescência. Uma mocinha descobrindo a biblioteca do clube , na cidadezinha perdida no mapa, lendo, lendo todos aqueles livros de capa dura, preta. Quanto mistério desvendado pelas palavras. Será que o sonho era escrever algo como o que lia? Recordava a mocidade. Uma jovem cheia de idéias de igualdade na cabeça, cheia de esperanças que o mundo seria mais justo. Será que o sonho era amar e ser amada para sempre por aquele estudante que entrara em sua vida, mistura de revolucionário com artista de cinema, tamanha sua beleza? Chegou à idade madura ainda sem saber. Lembrava-se de seu entusiasmo em dar aulas, fosse o retorno grande ou pequeno. Será que aquela relação baseada em conhecimento e afetividade, lhe dava a idéia de viver um sonho? E agora? O olhar continuava perdido um pouco no horizonte, em busca de arco íris, talvez. A mente ainda buscava ansiosa pela leitura do que lhe caía às mãos. O amor lhe parecia distante, mas sempre o buscava, mesmo que fosse por linhas tortas. E a pergunta continuava martelando sua cabeça: Qual era o grande sonho? Só se fosse aquela busca incessante que a perseguira pela vida toda, deixando –a sempre confusa, sem que soubesse definir o que era. Teria tempo de saber?

Considerações às vésperas de aniversário



Você percebe que é considerada quase uma idosa:
1.quando sai de casa feliz, com sua calça jeans, camiseta, cabelo espetado, olhos brilhantes, pronta para enfrentar  oito horas de trabalho estafante e no ponto do ônibus um jovem, nem tão jovem assim,  insiste para você entrar primeiro no ônibus e fica esperando pacientemente que você tome essa atitude, como se você estivesse ali a passeio: poxa! você ainda trabalha mais do que ele.
2. quando está pensando o tanto que o novo trabalho te faz ficar sedentária , sentada na frente do computador o dia inteiro e um jovem, nem tão jovem assim, insiste em te ceder o lugar, não se importando com sua negativa, como se a negativa expressasse apenas uma relutância para não incomodá-lo, porque para ele você está com ar de cansaço e não aguenta ir de pé, sem ter que se apertar com a pessoa ao lado ao sentar-se: poxa! nunca pensei que jovem politicamente correto fosse tão chato.
3. quando ao ser chamada pelo apelido, porque foi com ele que você se apresentou, tão acostumada está com ele, e um jovem, nem tão jovem assim, ridiculamente te chama pelo mesmo, acrescentando um Senhora na frente em sinal de respeito: poxa! a emenda é pior do que o soneto: ouvir Dona Pixu não há quem aguente.
4. quando vê o espanto do médico jovem, nem tão jovem assim, ao saber que você não só gosta de samba e carnaval, mas vai a bares sambar e ao sambódromo desfilar na sua escola de samba: poxa! mal sabe ele os lugares que você frequenta.
5. quando você está no bar tomando sua cerveja e os jovens companheiros do trabalho te oferecem caipirinha, achando que ao primeiro gole você vai ficar bêbada: poxa! eles nao fazem idéia do que foi sua geração.

Mas você percebe o tanto que ainda pode ser  jovem:

1. quando vê que teus preconceitos são muito menores e tuas idéias são tão menos moralistasdo que de jovens universitários: poxa! você continua sendo vanguarda no que se refere a saber viver a vida.
2. quando é rodeada por jovens em uma festa que te acham sábia, buscam tuas palavras, expressam sua admiração ao mesmo tempo que defendem suas idéias contigo de igual para igual: poxa você ainda sabe se comunicar com outras gerações
3. quando um homem diz que teus olhos enfeitiçam e  telefona cedinho para te acordar: poxa! não é que ele sabe a mulher que você é?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

mudez

"...e sem saber o que dizer
pediu desculpas às borboletas..."