terça-feira, 5 de março de 2013

Canto de passarinho

Descobri amar passarinhos. Já desconfiava, quando senti a falta de seus sons quando mudei daqui. Só não imaginava que, voltando, sentiria tão mais a  sua cantoria. E por mais estranho que possa ser, parecem os mesmos de doze anos atrás. Pelo menos as maritacas da árvore do quintal ao lado, fazendo aquela algazarra ao sair de manhã. Ah...o ser humano! Sempre querendo ser único, ouço como se elas estivessem a minha espera só para me fazer feliz.
Nunca soube diferenciar se cantam ou piam os pintassilgos, piás, andorinhas, pardais e que tais.A não ser o sabiá laranjeira, aquele madrugador que teima em cantar no escuro para nos garantir que a claridade virá. Nem mesmo sei como são chamados, para mim, mero rótulo para ornintólogos estudar. Até mesmo o canto alegre do pássaro preto de mamãe, que morreu de saudades quando ela foi viajar, lembro mais. Só sei que era suave a conversa entre seu canto e a resposta em assobio de minha mãe. Eram cúmplices naquele diálogo melodioso.
Em São Paulo são 14H:43MIN, um calor de rachar, mas há os teimosos que conversam entre si. O que será que dizem? Contam o que estão fazendo, dizem de seus ninhos, ninhadas, reclamam da falta de árvores, dos voos longos que têm que fazer, se estão cansados ou sedentos, falam de amor ou apenas se cumprimentam na tarde ensolarada?
Tem dias que me lembram a voz de Deus... um Deus feliz...que esquece por momentos de toda a miséria que tem que consertar.
Tem manhãs que me lembram a vida nascendo, plena em sua finitude, oferecendo-se a meu ouvido a chamar...acorda, clara,  não espere o amanhã, não sabe se ele virá...
Tem tardes que me aquietam a angústia, essa velha companheira apegada, que se enche de serenidade olhando o dia cair...
Hoje, trouxeram-me a saudade de você...a melodia entra pela janela e me embala na sua ausência. Cantantes, emprestam-me suas asas para eu poder voar...

Um comentário:

  1. Essas maritacas, sempre causando sentimentos contraditórios.

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