quinta-feira, 18 de novembro de 2010

mudez

"...e sem saber o que dizer
pediu desculpas às borboletas..."

sábado, 16 de outubro de 2010

Samba em São Miguel... dois anos depois



Primavera gelada em São Paulo. Convite para feijoada e samba do outro lado da cidade, certeza de tarde gostosa, ela e a amiga rumam para a ZL. Dessa vez não erram o caminho, as avenidas não mais intermináveis,  o bairro menos pobre e a rua não  tão feia. Acostumou-se talvez. Sempre o primeiro impacto dói mais. Depois, banaliza-se.
O aniversariante está no portão, peito aberto aos abraços, sorriso largo no rosto. 
O quintal é o mesmo, apenas as árvores estão mais frondosas, a sombra mais acolhedora e a pitangueira carregadinha de pitangas maduras.
-Caipirinha de pitanga é muito boa! 
Na cozinha, a mãe da dona da casa conversa sobre pitangas, amoras, jabuticabas entre sorrisos e receitas. Impossível não associar a sua infância, a seu o quintal, aquelas árvores antigas,  ali, em roupagem nova.
Ela olha os músicos chegando, se achegando sob as árvores, com seus banjos, cuícas, pandeiros, timbas, bongôs, cavaquinhos e agogôs. O samba pede passagem no fundo do quintal.
Os amigos afetuosos, abraços e cantoria alegre, brincadeiras e falas sérias, afinal, o segundo turno para presidente está aí e as gozações de quem é mais à direita ou mais à esquerda, se da "zelite" ou do povão não dá margem a brigas, apenas a risadas. 
Feriado passando alegre, gente jovem, velhos, crianças, comunhão de seres ligados por algum elo do destino, que os faz se sentirem irmãos.
De onde vem esse sentimento de solidariedade gratuita, de participante de um mundo só, na diversidade das vidas ali? São estranhos, mas próximos.
A tarde cai. 
As primeiras sombras escondem a chegada da visita.

Ela não foi convidada. Trazida talvez pelo vento frio, pelo ar soturno da noite, entrou desapercebida, silenciosa, deslizou invisível por nós e subindo as escadas nos levou a Lourdes. 
Fim de festa, fim da vida.
Num minuto, num sopro, um coração deixou de bater.
Assim... levemente, como uma folha que cai,  um som deixou de tocar. 
Silêncio no quintal.
Descanse em paz, doce senhora.

eleições 2010


                              perdi 
o brilho da utopia do olhar
o sorriso aberto da esperança
a voz incendiária das grandes causas
a certeza da palavra verdade
e a fé na realização dos sonhos

será isso, envelhecer?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para Lourdes



 Quintal em festa
Na pitanga madura
A doçura do teu olhar

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Em família

Gosto dessa noite fria
em que volto
às raízes
do que sou hoje.

Esse vinho quente
soltando a língua
em bobagens ditas
amaciando o sorriso
de cada um na mesa

Chega tranquilo
o amor 
nesse jantar de agosto
em que a verdade surge
sobre o que fomos
por quê?
e como

E nesse recordar de irmãs
fundem-se o olhar
do passado
com a alegria presente
de comemorar a vida

Avoé baco!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Perguntas...

Por que
este olhar tão frio
esta voz amarga
e a falta do sorriso
a te marcar a face?

O que te fez a vida
pra ficar cansado
sem querer  contato
a procurar no sono
esquecer o afago
que tanto te falta?

O que te levou
a cruzar os braços
andar pesado
e passar batido
a pensar que a vida
é só desencontro?

O que fazer
pra te deixar menino
e perceber leveza
 nesta tarde cinza
sem teus desenganos?

ilustração: Munch

quinta-feira, 25 de março de 2010

A serpente


Ela é bela. Esgueira-se por entre as folhas secas, ardilosa, misturando-se a elas. Arrasta-se dolente à espera da presa. Não tem pressa. Sabe que ela virá. Espreita apenas.
Aguarda tranquila a desprevenida, a distraída, que dará o passo em falso sem vê-la, imersa em seus sonhos.
Ah...o barulho das folhas secas escondendo o silvo mortal.
Atenta, apenas espera os pés descalços atraídos para o bote certeiro.

No silêncio do quarto, tua foto me sorri. Quase ouço um leve sibilar...

domingo, 21 de março de 2010



ahh...
O poema que dói não sai
fica incrustrado nas reentrâncias
dessa dor que se esconde
nos desvãos
da alma
que teima e teima
e teima em amar 

Ilustração: Munch

terça-feira, 2 de março de 2010

Classificados VII

Procura-se uma utopia para viver. Perdi as que me davam alma, tornando-me um zumbi na escuridão da noite...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Como chuva ao entardecer

sou como a água da chuva
molhando teu corpo
caindo devagar
pingo
a
pingo
deslizando clara
 por teus poros
 teus pelos
escorregadia
vadia...
a te molhar com meu desejo...