terça-feira, 16 de abril de 2013

...



Navegar é preciso


Em  busca da terceira margem dos rios
Das ilhas perdidas do mar
Para soltar  a voz como os passarinhos
E deixar voar a alma
Acima dos abismos

( Tela: Kandisnky)

terça-feira, 5 de março de 2013

Canto de passarinho

Descobri amar passarinhos. Já desconfiava, quando senti a falta de seus sons quando mudei daqui. Só não imaginava que, voltando, sentiria tão mais a  sua cantoria. E por mais estranho que possa ser, parecem os mesmos de doze anos atrás. Pelo menos as maritacas da árvore do quintal ao lado, fazendo aquela algazarra ao sair de manhã. Ah...o ser humano! Sempre querendo ser único, ouço como se elas estivessem a minha espera só para me fazer feliz.
Nunca soube diferenciar se cantam ou piam os pintassilgos, piás, andorinhas, pardais e que tais.A não ser o sabiá laranjeira, aquele madrugador que teima em cantar no escuro para nos garantir que a claridade virá. Nem mesmo sei como são chamados, para mim, mero rótulo para ornintólogos estudar. Até mesmo o canto alegre do pássaro preto de mamãe, que morreu de saudades quando ela foi viajar, lembro mais. Só sei que era suave a conversa entre seu canto e a resposta em assobio de minha mãe. Eram cúmplices naquele diálogo melodioso.
Em São Paulo são 14H:43MIN, um calor de rachar, mas há os teimosos que conversam entre si. O que será que dizem? Contam o que estão fazendo, dizem de seus ninhos, ninhadas, reclamam da falta de árvores, dos voos longos que têm que fazer, se estão cansados ou sedentos, falam de amor ou apenas se cumprimentam na tarde ensolarada?
Tem dias que me lembram a voz de Deus... um Deus feliz...que esquece por momentos de toda a miséria que tem que consertar.
Tem manhãs que me lembram a vida nascendo, plena em sua finitude, oferecendo-se a meu ouvido a chamar...acorda, clara,  não espere o amanhã, não sabe se ele virá...
Tem tardes que me aquietam a angústia, essa velha companheira apegada, que se enche de serenidade olhando o dia cair...
Hoje, trouxeram-me a saudade de você...a melodia entra pela janela e me embala na sua ausência. Cantantes, emprestam-me suas asas para eu poder voar...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ausência da inspiração

Nada a escrever
que lembre poesia

Inútil insistir
os caminhos estão secos
é outono n'alma
nesse maio
de rimas caindo
embaralhadas
folhas secas
que vou pisando
pelo chão

Nada a dizer
além do ponto final.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Mudança de endereço

não terei mais a lua minguante
companheira infalível
me visitando à janela
dizendo
sempre é possível
ser feliz

agora
ela vai me saudar exuberante
nascendo toda cheia de si
só para me mostrar
que a felicidade
reside quando eu quiser
em mim.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Natal

E agora
que chegou o natal
vou me dar de presente

as amizades que conquistei
o amor de meu filho
e a alegria de viver

E agora
que chegou o natal
vou chamar a lua
pra iluminar tua noite
encontrar uma estrela guia
pra brilhar em teu olhar
e trazer o menino-deus
pra inundar de paz
teu coração.





domingo, 18 de novembro de 2012

e é sempre na mente
 a pergunta
(sobre)viver
sem saber ao certo
se consigo ser

e vem sempre a dúvida
se vale a pena
insistir na busca
procurar o novo
ou desistir de vez

e a realidade chega
sussurrando insidiosa
que nada há
além do tédio
o tédio imenso
 gêmeo
desse feriado sem fim...


.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aniversário

Quando criança
acordava alegre de madrugada
e pensava que banda  à janela
com seus hinos e clarins
anunciava ao mundo
o dia de meus anos

Ingênua
amanhecia feliz

Hoje
acordo devagar
não há banda nem hinos
apenas o silêncio da manhã
conta-me que o tempo passou
a ingenuidade se foi
a infância acabou

mas será que esse pássaro  lá fora
está cantando para mim?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eros e Psiquê

Uma pluma pousou em mim
acariciou minh'alma
desembaraçou meus nós 
fez calar meus medos
e  me encantou


Fiapo de algodão doce
deixou cair em mim
um pingo de seu mel


Sussurei seu nome:
 Eros
Respondeu-me:
Psiquê.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

E de início
eram apenas  borboletas no estômago
mas voaram até a mente
e transformaram-se em grilos...

Durma-se com um barulho desse!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Crônica da tristeza anunciada


Era uma tristeza fina, aquela  
parecia a primeira ruga
 imperceptível na face
profunda na descoberta do espelho
tímida como o primeiro pingo de chuva
perdido na secura de dunas do deserto

Tristeza de náufrago aflito
afogando-se em tempestade
sem encontrar o rumo da praia

Uma tristeza ciente de seu poder
pronta a romper o frágil cordão da alegria
construído a duras penas
agora, destroçado sem dó
nos descaminhos do amor.

(por que a lembrança da tartaruga da infância
movendo-se vagamente no meio da folhagem
no fundo do jardim?)

( tela - Magritte)